10 de novembro de 2016

O muro invisível



O que faz a gente merecer o amor de alguém? São as nossas obras, os nossos presentes, os nossos "sim" ou quem sabe os "não" que damos por aí? E se algum dia fizemos algo ruim, podemos compensar isso ou não merecemos mais o amor?

Eu não sei se existe redenção para um pai que abandonou um filho ou para um filho que machucou o pai, não sei se temos uma capacidade limitada para perdoar ou se somos nós que não queremos mesmo, porque é difícil e tudo o que complica tende a fazer com que nós fujamos, corramos, nos escondamos. As pessoas dizem que só não há jeito para a morte, mas há jeito para quem fez escolhas erradas? Será que somos capazes de acreditar no ser humano ou as barbáries que vemos todos os dias nos impele a achar que a nossa parcela de maldade é sempre maior do que a nossa parcela de bondade e tendemos a desconfiar de todos, quem sabe até de nós mesmos?

Estamos tão acostumados a ver boas pessoas "mostrando" outras faces, pessoas más fazendo coisas ruins. Será que essas pessoas merecem o amor? E o que faz a gente merecer o amor de alguém? Será que algum detento merece o amor de alguém? O cuidado, o carinho, a atenção, a escuta... e o que nos separa deles? Ou das pessoas que fizeram más escolhas? As vezes parece existir um muro invisível entre nós e eles, um muro que cresce ou diminui de acordo com nossas escolhas e nós sempre julgamos, nos afastamos, nos colocamos como acima, mas nós também estamos nessa linha tênue entre fazer uma escolha certa ou errada. Será que se seguíssemos os mesmos caminhos que outro faríamos as mesmas escolhas? Somos melhores do que outros por causa das nossas escolhas? Então merecemos o amor de alguém por causa das nossas escolhas? Escolhemos amar? Escolhemos perdoar? Esquecer? Fugir? Correr? Se esconder? Escolhemos merecer? Escolhemos os limites da nossa capacidade de perdoar? Escolhemos escolher? 

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