14 de novembro de 2016

Alguém me encontrou por aí?



Tem dias que a gente acorda com a sensação de que não nos reconhecemos mais. Vêm pensamentos estranhos, atitudes mais duras, o rosto mais sério e as rugas escondidas por falta de sorrisos. Tem dias que a gente não se suporta ou não entende, não supera ou simplesmente deixa pra lá, deixa pra depois. E quanto a nós? Nos perdemos de nós mesmos? Para onde olhamos enquanto nós mesmos estávamos distraídos?

Quando eu era criança eu sempre achava que não me tornaria aquele tipo de pessoa ignorante, mas que sempre tentaria entender as pessoas e amá-las como elas são, sem querer tirar seus defeitos. Algum tempo depois eu passei a ser ignorante, com a resposta na ponta da língua, o corpo preparado para reagir, para se defender. Um dia desses eu também chorei por ter percebido a mudança que eu não esperava nem queria. Hoje eu me afasto novamente de quem era, talvez tenha olhado para o lugar errado na hora errada e me perdi de vista. Quando eu era criança também me perdi na praia, mas eu tinha meu pai e minha mãe para procurarem por mim. Hoje eu sei que essa tarefa é minha.

Algum dia não acordamos com a sensação de que não nos reconheçamos mais, mas sim que em algum momento nós mudamos porque precisávamos. Nos colocar na defensiva, nos afastar, ser ignorantes, não aceitar aqueles defeitos dos outros que nos fazem mal. Por isso, se alguém me encontrar por aí, não precisa vir avisar que me perdi, mas acho que na verdade eu me encontrei, só que de uma forma diferente, seguindo por um caminho diferente, agindo diferente. Talvez aquela versão precisasse ficar pela praia para conhecer mais as pessoas como são, a vida como é de fato. Aí sim ela volta pra me contar o que achou, quem sabe nós até concordamos?

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