11 de dezembro de 2015

Desculpa, amor



É verdade, não sei falar direito ou dizer o que há em mim. Não sei me explicar, na verdade, não sei nem o que se passa aqui dentro. Ultimamente tenho perdido até o jeito de escrever, não sei mais e nem sei por quê.

É verdade, eu sei dos meus defeitos e você os conhece também, tão bem como nenhum outro. Sou calada, as vezes até fechada se estou triste e se estou mal contigo não consigo me animar pra ninguém mais. Meus pensamentos são como redemunhos, vêm e se vão, voltam e atormentam tudo. Tenho muitas perguntas sempre e quase nunca obtenho respostas. As vezes nem me dou ao trabalho de procurá-las. Admito, tenho medo de revelar meus pensamentos às pessoas e por isso antes eu tentava passá-los para o papel - 'dom' que venho perdendo cada dia mais -, mas você sempre os percebe, sempre sabe como estou, se estou bem ou mal, se tenho dúvidas ou certezas. Não importa se tento me esconder, você consegue me achar lá no fundo, bem no cantinho onde ninguém jamais ousaria me procurar. E eu até agradeço por isso, agradeço de verdade, pois é importante pra mim. Não tenho tanta atitude quanto você, nem a cabeça tão erguida, nem o coração tão forte. Sou tão fraca que sei que isso te dá raiva, sou tão calada que as vezes você pode ficar de saco cheio, tento andar tanto para o lado contrário à guerra que você pode me chamar de covarde. 

É verdade, não gosto que as pessoas fiquem com raiva de mim ou fiquem desapontadas.

É verdade, eu deixo tantas vezes a minha vontade para fazer a do outro, vou aonde não quero e as vezes até falo o que não penso. Ou deixo de falar o que penso. Ou saio. Sinto muito, mesmo. Me desculpa por isso.

É verdade, tenho tantos erros em mim que isso me deixa pra baixo, não sou tão cabeça erguida, não falo tão alto e quando grito, eu choro também. Sinto raiva sim, mas minha garganta de repente trava e fico por aí mesmo e corro para aquele lugar em que você foi tantas vezes me buscar. Naquele cantinho escuro.

É verdade, eu peço desculpas sinceramente. Sei que dizer que vou tentar mudar, tentar ser mais como você, mais forte, não significa que eu vá conseguir mudar, ter mais atitude ou falar mais. Desculpa se te faço sentir inútil, se não sei o que fazer. Desculpa se fico calada ao telefone, chorando em silêncio enquanto seu silêncio do outro lado machuca meu coração. Desculpa se não sou como você gostaria, se meus erros te deixam mal. Eu não gosto disso, não me faz bem ver que você não está bem e, principalmente, não está bem por minha causa. Por isso as vezes acho que você estaria bem melhor se não estivesse me carregando nas costas, como um peso a ser suportado. Desculpa se só sei pedir desculpas. 

É verdade, eu te amo. Sei que parece que não, sei lá se parece que sim... Desculpa se escuto tanto os outros e você pode achar que escuto tão pouco você. Desculpa, se te amo, se falei com você naquele dia, se te faço sofrer. Desculpa se, mais uma vez, te peço desculpas pelo meu mal jeito, a minha falta de jeito. Desculpa.

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