24 de junho de 2017

A descoberta

Estava passando pelo shopping, rápido e com bastante pressa. Havia pouca gente ao meu redor e ao virar em outro corredor não havia mais ninguém além de mim. Estranhei, mas não me incomodei: ao contrário, gostava da minha presença e ninguém atrapalharia meu caminho. Eu tinha pressa. 

Olhei no relógio e, sem perceber, olhei-o novamente. Meus pensamentos não pareciam focar naquele momento, a ansiedade com o novo cargo na empresa me tomava por completa! Feliz? É, talvez sim. Não! Com certeza. Estufei o peito. Cabeça erguida, pensamentos nas economias e compras que poderia fazer, na pressa em chegar logo, olhava para as vitrines sem notar roupas, calçados, joias ou mesmo os espelhos imensos que tornavam a decoração um tanto estranha. E por que eu demorava tanto a chegar ao elevador? Bem, fosse por isso que ninguém ia por ali.

Dei de ombros. Nada atrapalharia meu dia. Nem mesmo uma velha senhora que se arrastava e fazia um barulho ensurdecedor ao arrastar pelo chão algo de metal. Estava em maltrapilhos. Provavelmente o segurança do shopping não a vira entrar, se não... Diante daquilo, achei que eu deveria falar com o gerente do lugar. Onde já se viu? Pagamos caro para ter exclusividade: garagem, carro bom, roupas boas, imagem boa... qualidades apreciadas para a civilização. Ninguém tinha a obrigação de ver tamanha miséria. Afinal, a gente vai ao shopping para esquecer a rua lá fora, para nos embelezarmos com a modernidade...

Olhei no relógio. Não prestei atenção. Olhei no relógio. Droga! Estava prestes a chegar atrasada. Aquela velha me tirou os pensamentos! Olhei no relógio. Pensando bem, talvez desse tempo de falar com o gerente. Era, iria fazer isso. Continuaria pelo corredor, dobraria à direita e seguiria para a sala especial do gerente daquele shopping. Algo deveria ser feito. 

A velha se aproximava do lado esquerdo e virei o rosto para a vitrine a minha direita. Repentinamente, algo me deu um susto, mas logo tratei de me acalmar. Era somente uma mulher que vinha à minha direita, quase frente a frente comigo. Admirei-a: estava muito bem vestida, usava sapatos e bolsa finos, de fato uma empresária. Esse é o estilo desse shopping, pensei, cabeça erguida.

Mas, a medida que nos aproximávamos, eu achava algo meio estranho. A mulher tinha o rosto tomado em fúria, andava a passos largos, olhava constantemente no relógio e, de esguelha, lançava olhares furiosos para mim. Respondi-lhe com olhares de esguelha também. De repente, aquele olhar furioso me lembrou minha mãe, uma senhora já, ainda morando no sítio e apegada aos trapilhos que vestia. Como se uma montanha desabasse, se é que isso seria possível, tomei-me de saudade e angústia e ainda mais quando olhei para trás e percebi que aquela senhora me lembrava muito ela. Balancei a cabeça e voltei-me para frente. Não havia tempo a perder, eu tinha negócios valiosos a tratar.

Então a mulher a minha direita continuava a se aproximar, o olhar raivoso como o de um cachorro que late. Por um instante, tive pena. O que aconteceu para que ela estivesse assim? E, ainda mais, por que continuava olhando pelo canto do olho para mim? Eu estava perfeitamente dentro do belo para estar naquele shopping que, diga-se de passagem, se pessoas como aquela velha continuassem por ali, iria se tornar um mero popular. 

A mulher estava mais perto de agora e continuava com o mesmo olhar. Nenhum bom dia, nenhum comentário; olhou no relógio. Me assustei quando passamos uma ao lado da outra. Nos encaramos com olhares sérios e ela mais raivosa do que antes. Quando a mulher já estava às minhas costas, foi como se um peso saísse de mim. Infeliz. Isso a mulher com certeza era. Sorri para mim mesma e balancei a cabeça. Mas o peso desceu sobre mim de vez com o que vi quando virei meu rosto para trás: a mulher não estava mais ali. 

As coisas de antigamente



A minha rua tinha duas árvores. Uma delas ficava no quintal do meu vizinho ruim. O vizinho era ruim, ou melhor, ainda é ruim, não a árvore. Bem, o sol sempre nascia atrás dela e de frente para a porta da minha casa e a gente nunca tinha coragem de levantar pra ver o por do sol. Por sorte, o sol se punha na parte de trás da minha casa e esse a gente sempre olhava da varanda que ainda tem no meu quarto. Bem, não no meu quarto, mas no quarto que era meu. Mas tudo bem, agora ele é ocupado por uma pessoa legal, ou pelo menos, ele parece ser legal, algumas músicas das quais escuta pelo menos são.

O fato é que agora a árvore do meu vizinho não está mais lá: o terreno nem é mais do meu vizinho ruim e a árvore foi derrubada para que o espaço no qual ela ocupava fosse agora transformado em garagem para carros. Os carros agora ocupam o lugar. E aquela árvore foi transformada em enfeite. Algumas partes dela, na verdade, porque o resto foi jogado no lixo. E também não dá mais para ver o sol nascer porque um prédio foi construído, tapando o sol.

A outra árvore ficava na frente da minha casa, mas do outro lado da rua. Quando eu era criança, a gente juntava várias outras crianças e brincávamos a noite toda naquele lugar: se fosse esconde-esconde, com certeza poderíamos achar alguém enganchado em seus galhos. Mas não era só nessas horas, a gente sempre subia lá para conversar, sonhar, brincar, sorrir, viver. Ser criança. Hoje, ela também foi retirada de lá para dar espaço a uma pousada que foi construída. E também para servir de estacionamento. Eu não sei onde suas partes foram parar. Mas suas lembranças permaneceram. 

Hoje as crianças da minha rua não têm uma árvore para se enganchar e nem mesmo uma para admirar o imenso tamanho daquela natureza em meio às construções da cidade. Hoje a minha rua é mais movimentada e até estão assaltando celulares de quem se senta na calçada. Também não tem muita gente nas calçadas, somente meu vizinho ruim e minha família também senta, as vezes. Hoje, as crianças não vão mais de porta em porta chamar as outras para brincar. Hoje, nem sei se elas brincam. Ou se só subiram em árvores "virtuais", em seus jogos vidradas. Para ser sincera, hoje eu ainda sou uma criança buscando a minha árvore para escapar. 

6 de janeiro de 2017

O sonho impossível


Muitas sonham com aquele vestido. Eu mesma já sonhei. A porta de madeira, a melodia simples e serena, o dia apressado, o medo, o passo entrando, os olhos me olhando, as flores nas minhas mãos, o véu arrastando no chão... e, finalmente, meu pai entregando minha mão ao meu esposo.

Muitas sonham com o dia do casamento, mas ele, na maioria das vezes, não passa disso. Um sonho. Um sonho impossível. Meu pai não é um pai de verdade e nós dois juntos somos tão estranhos um com o outro como qualquer estranho que se aproxime. Talvez, mais estranhos do que isso, afinal muita história por trás nos lembra quem realmente somos e o que fizemos com as pessoas que amávamos.

Meu noivo está lá, ao lado do padre, me esperando. Lágrimas descem dos meus olhos, mas é de felicidade. Aquele momento é perfeito e único. O único momento perfeito do casamento, na verdade. Depois disso, as brigas, as raivas, os problemas, os defeitos e os excessos estragam, corroem e nos prendem, e o casamento se torna um peso e os esposos começam a se odiar ou, o que é pior, um deles passa a rejeitar o outro. E o outro passa a ser descartável.

Sou descartável e resolvi não arriscar. Não quero sentir o que minha mãe sentiu, o sofrimento que vi, a falta de cor em seu rosto, a secura em seus lábios, o vermelho de seus olhos. Não colocarei para tocar uma música que sei que me trará sofrimento e dor. Por isso, se alguma vez me perguntarem, eu escolhi não casar e o motivo é esse. Resolvi não sonhar esse sonho. Morarei junto, dividirei a vida e a casa, mas jamais esse sonho de entrar na igreja de braço dado com meu meio-pai para ver o meu esposo no final da trilha. Esse sonho não é mais meu, e tentar dividi-lo com alguém seria como dividir zero por dois. E o resultado disso será sempre zero.

11 de dezembro de 2016

Filmes que quero assistir (por causa do trailer)


Eu gosto muito de assistir aos trailers e descobrir novos filmes para assistir e, como achei alguns bem interessantes, compartilharei com vocês. Não está na ordem de preferência dos trailers. 

1. A Bela e a Fera
Essa é uma adaptação do meu clássico favorito das princesas e, com Emma Watson, acho que vai ser ótimo! Espero superar minhas expectativas que estão bem altas! 


2. Passageiros
Sempre gostei de ficção científica e com Jennifer Lawrence no elenco, bom filme é garantido! Gostei do trailer e estou ansiosa.



3. Minha mãe é uma peça 2
Esse é o nacional mais esperado, por mim pelo menos, o primeiro filme é ótimo e esse acho que vai ser bom também.


4. Rogue One: Uma história de Star Wars
Assistam a esse trailer! Meu Deus, filmes de Star Wars são bons demais!! (E Darth Vader ainda vai aparecer?)


5. Até o último homem
Confesso, já assisti a esse trailer centenas de vezes, ele parece ser um daqueles filmes para balançar nosso emocional e psicológico e fazermos diversas perguntas sobre nós mesmos! Assistam!


6. Quase 18
Esse trailer me chamou atenção pelo "Quase 18" porque faz pouco tempo que completei 18 também e acho que gostarei muito do filme!


29 de novembro de 2016

Pelo time


Hoje o Brasil acordou chocado, olhos chorosos e sorrisos esquecidos após o acontecimento que esteve longe do nosso alcance e, por vezes, do nosso entendimento. Por que isso aconteceu? Por que algo tão cruel depois de uma felicidade tão grande e compartilhada? O fato é que não sabemos a resposta, mas a tragédia aconteceu. E agora? O que fazer?

Estamos chocados com o triste episódio da Chapecoense. Em um momento sorrisos e no outro lágrimas. Como algo pode mudar tão de repente? Isso só nos lembra o quanto somos pequenos diante desse universo infinito. Não podemos mudar o passado ou descobrir o futuro, mas somos capazes de ter compaixão com o outro, com aqueles 76 ou talvez mais. Com os que, por um milagre, sobreviveram.

Agora, deixo os meus sentimentos, a minha solidariedade e, acima de tudo, a minha oração. Eles foram determinados em todo o caminho que percorreram, de baixo até o topo. E hoje descansam, sorriem e se solidarizam no céu. Que Deus possa recebê-los de braços abertos, sendo o Pai recebendo seus filhos amados. Que Nossa Senhora os beije tal como a mãe que é. Que Jesus esteja com eles e que alcancem a paz eterna.

Nem eu, nem você, nem ninguém tem a resposta da primeira pergunta que fiz e não podemos fazer nada que possa mudar a triste situação. "A dor precisa ser sentida." Apesar disso, podemos mostrar nossa solidariedade com a família, podemos sentir a perda que o país inteiro sentiu hoje, podemos ter compaixão e, mais importante, rezar por todos eles. Que o seu verde nos encha de esperança, de determinação e que seu legado não seja esquecido por nenhum de nós. Pela esperança. Pelo Chapecoense. E que Deus seja louvado acima de tudo.


19 de novembro de 2016

#Escutehoje: I Won't Let You Go (Switchfoot)




Tradução (Vagalume):
Quando parece que a cirurgia
E queima como terceiro grau
E você quer saber o que é que vale a pena ?
Quando seu interior quebrando em
E você sente aquela dor novamente
E você se pergunta
O que está dando à luz ?

Se você pudesse deixar a dor do passado ir
da sua alma
Nada disso está em seu controle

Se você só podia baixar a guarda
Você poderia aprender a confiar em mim de alguma forma
Eu juro, que eu não vou deixar você ir
Se você só poderia deixar passar as suas dúvidas
Se você pudesse apenas acreditar em mim agora
Eu juro, que eu não vou deixar você ir
Eu não vou deixar você ir

quando o terror é a moeda
E você sente essa urgência
Você quer a paz, mas não há guerra em sua cabeça
Talvez que é onde nasce a vida
Quando nossas fachadas estão rasgadas
Dor dá à luz a promessa adiante

Se você pudesse deixar a dor do passado ir
da sua alma
Nada disso está em seu controle

Se você só podia baixar a guarda
Se você pudesse aprender a confiar em mim de alguma forma

Eu juro, que eu não vou deixar você ir
Se você só poderia deixar passar as suas dúvidas
Se você pudesse apenas acreditar em mim agora
Eu juro, que eu não vou deixar você ir
Eu não vou deixar você ir

eu sempre estarei ao seu lado
Eu não vou deixar você ir

Não há escuridão suficientemente forte
Isso poderia rasgá-lo fora do meu coração
Não há nenhuma força que é forte o suficiente
Isso poderia destruir o amor distante
Nunca vou deixar você ir

Não, eu não vou deixar você ir

16 de novembro de 2016

Meu coração não é mais vencedor


Olhando para a rua sombria e silenciosa percebi o quão vazia ela estava e me perguntei se algo podia ser mais vazio do que outro. Naquela noite meu coração estava vazio, mas aquela rua certamente era maior do que ele e eu me perguntava se em algum torneio sobre qual o mais vazio ela venceria o meu coração. E, naquele momento, eu percebi que não.

Alguns dias antes a raiva tomou de conta de mim e cada pensamento, cada sentimento passou a ser menor do que aquela raiva que destroçava meu coração e minha alma. Naqueles dias eu deixei de acreditar no amor e na esperança de que as coisas poderiam mudar. Deixei que todos os meus sonhos seguissem somente para o plano racional e o emocional deixei de lado. Perdi até a capacidade de escrever algo, de acreditar em alguma coisa o suficiente para que fizesse meu coração sair de si e chegar aos meus dedos, transbordando em palavras cheias de vida.

Aquela garota que acreditava em sonhos, que queria uma vida simples e boa e fazer coisas românticas estava seguindo para o caminho da infelicidade e das pessoas amargas que não gostam da vida. Eu andava lentamente para o lugar dessas pessoas, assim como caminhava por aquela rua quieta e sozinha. Eu me sentia sozinha também, me sentia num poço sem esperar que aparecesse alguém para me salvar. Mas de repente chegou alguém e me pegou de surpresa.

Repentinamente eu já não estava mais naquela rua e a esperança voltava a criar raízes em meu peito e tudo parecia clarear em volta de mim e o amor passou a existir, a durar, a ser carinhoso e não machucar tanto. E naquele torneio, meu coração já estava tão cheio que aquela rua ganhava dele em solidão, pois eu não estava mais assim.

14 de novembro de 2016

Alguém me encontrou por aí?



Tem dias que a gente acorda com a sensação de que não nos reconhecemos mais. Vêm pensamentos estranhos, atitudes mais duras, o rosto mais sério e as rugas escondidas por falta de sorrisos. Tem dias que a gente não se suporta ou não entende, não supera ou simplesmente deixa pra lá, deixa pra depois. E quanto a nós? Nos perdemos de nós mesmos? Para onde olhamos enquanto nós mesmos estávamos distraídos?

Quando eu era criança eu sempre achava que não me tornaria aquele tipo de pessoa ignorante, mas que sempre tentaria entender as pessoas e amá-las como elas são, sem querer tirar seus defeitos. Algum tempo depois eu passei a ser ignorante, com a resposta na ponta da língua, o corpo preparado para reagir, para se defender. Um dia desses eu também chorei por ter percebido a mudança que eu não esperava nem queria. Hoje eu me afasto novamente de quem era, talvez tenha olhado para o lugar errado na hora errada e me perdi de vista. Quando eu era criança também me perdi na praia, mas eu tinha meu pai e minha mãe para procurarem por mim. Hoje eu sei que essa tarefa é minha.

Algum dia não acordamos com a sensação de que não nos reconheçamos mais, mas sim que em algum momento nós mudamos porque precisávamos. Nos colocar na defensiva, nos afastar, ser ignorantes, não aceitar aqueles defeitos dos outros que nos fazem mal. Por isso, se alguém me encontrar por aí, não precisa vir avisar que me perdi, mas acho que na verdade eu me encontrei, só que de uma forma diferente, seguindo por um caminho diferente, agindo diferente. Talvez aquela versão precisasse ficar pela praia para conhecer mais as pessoas como são, a vida como é de fato. Aí sim ela volta pra me contar o que achou, quem sabe nós até concordamos?

12 de novembro de 2016

Não só sobre a liberdade


Eu acredito em Deus, não sei vocês. Mas crentes ou não todos nós recebemos certa liberdade dentro da vida civilizada a qual pertence a nós unicamente, não somente como um direito estabelecido por alguém, mas por sermos humanos, dotados da capacidade de escolher. E infelizmente muitas vezes escolhemos errado e nossa liberdade também está sujeita aos nossos erros.

Algum dia nós escolhemos errado e seguimos por um caminho não tão reto quanto achávamos que seria e talvez tenha havido alguma "testemunha" ou somente nós mesmos. Não sei o que aconteceu naquele dia, mas nossa liberdade parece estar sujeita a essa "testemunha" ou ao nosso pensamento, a nossa culpa ou peso de consciência. E isso é caro, dói, priva a gente. Tira nossa liberdade por estarmos sob o julgo de alguém ou de nós mesmos e, por isso, as escolhas são tão importantes.

As vezes a gente faz algo estúpido, mas acaba se esquecendo, principalmente quando somos ou fomos adolescentes. Mas um dia isso vem para cima de nós e, mais uma vez, nos tira a liberdade. E como essa é importante! Ela faz a diferença entre estarmos sob nós mesmos ou sob outras pessoas, ela nos dá asas para seguirmos as nossas escolhas do futuro, ela nos torna independentes, autênticos, livres para sermos o que somos, ela nos dá a felicidade de nos completarmos a nós mesmos. E nunca podemos nos esquecer: ela é muito importante. Por isso ter cuidado com as escolhas que fazemos é fundamental para garantirmos a nossa liberdade.

Existe uma linha tênue entre fazer a escolha certa e a errada. Alguém roubou porque queria ter aquele objeto e, para isso, fez uma escolha que pode ter levado ele a perder a liberdade de caminhar sozinho pelas ruas se tiver ido para a prisão ou, se não foi, ele perdeu a liberdade de viver livre para ir aonde quer porque pode ser pego e descoberto. E não é só nesse caso, alguém desobedeceu aos pais ao chegar mais tarde em casa ou fazer coisas erradas e perdeu a liberdade de sair ou a liberdade que tinha devido à confiança depositada nele. 

Essa liberdade faz parte de nós e nós precisamos dela para sermos felizes, sermos nós mesmos, fazermos escolhas. Escolher quem queremos ser. Não podemos arriscar nossa liberdade por besteiras, por pessoas que podem mudar a qualquer instante, por escolhas erradas que fazemos sem pensar. Não podemos arriscar nossa chance de sermos. A liberdade nos dá asas para voar além do alcance que podemos ver, mas voar e perder essa chance é uma escolha que precisamos fazer diariamente e quase sempre é difícil.

10 de novembro de 2016

Como foi o meu dia, todos os dias


Pode ser besteira, mas hoje eu descobri que todos os dias podem ser especiais, isso só depende de mim. Porque hoje eu fui sinceramente simpática com um homem de uma loja que nem quis me dar um desconto, eu aproveitei cada segundo com a pessoa que amo, eu ri do jeito engraçado como minha mãe reclamou de não ter achado uma tesoura pequena e percebi que as vezes eu digo as mesmas coisas do mesmo jeito que ela sem estar com raiva e vi que ela não estava tão estressada assim. Eu ri com uma série bem clichê da qual eu amo e percebi que eu não preciso ser "culta" o tempo todo, nenhum tempo na verdade; não preciso "ser" aquela que só gosta de coisas que tragam uma explicação séria, porque essa explicação pode estar no que é simples também e eu ri com coisas simples, brinquei com a vida. 

Quando eu era criança eu achava que no mundo só estava acontecendo aquele momento em que eu estava e que só havia aquele tempo naquele momento, mas as vezes eu lembrava de alguém longe e tinha a sensação de que essa pessoa também estava fazendo algo bem distante dali, o que hoje é uma besteira, mas naquele momento eu achava surpreendente aquela sensação! Mas logo depois voltava a prestar atenção somente no que estava acontecendo comigo e, hoje, eu fiz a mesma coisa.

No filme "Poder além da vida" há uma cena em que três questionamentos surgem: "Onde você está? Que horas são? O que você é?" e todas as respostas te conduzem a ser melhor, a estar atento para o que acontece ao seu redor, para o que as pessoas que estão perto de ti se sentem, do que elas precisam, o que você pode fazer de bom e tudo aquilo que pode te conduzir à felicidade. Hoje, eu me concentrei no que importa, que não está no que aconteceu no passado ou nas preocupações que me levam para os destinos incertos do meu futuro. Hoje, não importa aquela sensação de quando penso no que os outros mais de 6.999.999.999 de pessoas podem estar fazendo, porque muito mais importante é eu me concentrar no que a pessoa 000.000.000.001 pode fazer aqui e agora e essa pessoa sou eu. E eu entendi o que minha mãe queria dizer quando reclamava da tesoura pequena, porque eu geralmente agia do mesmo jeito, eu percebi o quão importante é prestar atenção em cada segundo com a pessoa que eu amo porque depois cada segundo me trará saudade, percebi que ser simpática com qualquer um, mesmo que ele não te dê um desconto, as vezes é importante para o outro. E as respostas que aquele filme me deu, eu dei para mim mesma hoje: "Onde você está? Aqui. Que horas são? Agora. O que você é? O momento."